Serão meses em que a elite silenciosa que foge frequentemente às argoladas das instituições que defendem e pelas quais dão a cara nos farão simpáticas abordagens na rua para apresentar o tal programa que serve apenas para tentar persuadir uma população deprimida de que são a alternativa, a mudança ou qualquer uma daquelas expressões hipócritas associadas às campanhas eleitorais. Não se deixem enganar: a esmagadora maioria das promessas eleitorais não se vão cumprir basta ver o histórico da esmagadora maioria das eleições para perceber isso mesmo: é um facto, não especulação. São na sua maioria histórias da carochinha que raramente se cumprem. O objectivo é o poder, nada mais.
Teremos também comícios, montes deles. Comícios bonitos, com muitas cores, muita comida e bebida (especialmente bebida) totalmente grátis (de outra pouca gente apareceria lá), um cantor pimba para animar a malta e um daqueles discursos propagandísticos, verbalmente assertivo para induzir uma falsa esperança na assistência, curto é básico para fácil absorção com salpicos de neblina para que no fim ninguém tenha percebido grande coisa. De qualquer forma a malta vai lá comer, a maioria nem quer saber em quem vota porque a lealdade ao partido pelo motivo “porque sim” ainda é uma triste realidade no nosso país. De outra forma não estaríamos constantemente a eleger os mesmos incompetentes que se distinguem pela gestão danosa, clientelismo político e outras nobres qualidades a que nos temos vindo a habituar. Será uma festarola no meio da depressão “entroikada” (ao que parece a palavra mais usada em 2012 – onde os partidos, PS e o PSD, CDU e o BE, vão temporariamente esquecer a austeridade e derreter dinheiro em futilidades perfeitamente inúteis enquanto nos cortam salários e pensões.
Adorava estar enganado. Adorava ver os partidos políticos doarem a esmagadora maioria do seu orçamento eleitoral para algo útil e verdadeiramente nobre. Afinal de contas, se lhes perguntarmos em campanha se o dinheiro seria melhor gasto a ajudar quem precisa em vez de o usar para encher a rua de lixo, barulho e mentiras acredito que esses senhores até aceitariam a ideia mas de seguida apresentariam um sem número de falsos argumentos para justificar esse gasto absurdo. É que a tarefa destes senhores é tão fácil que o modus operandi é e provavelmente será sempre o mesmo. Até ao dia.
Abram alas, a palhaçada vai começar!
Noticia relacionada:
"CDU: "a CDU está de pedra e cal em Alpiarça"":

3 comentários:
Eu gostava de dizer ao iluminado que escreveu este post que se vamos falar em campanhas e gastos, então gostaria que me respondesse a uma pergunta (presumo que me saberá responder porque ... porque sim). Então é contra os gastos das campanhas? E quanto aos gastos da campanha do "seu" candidato independente, já não é? É que já vi na rua um panfleto a anunciar a apresentação da candidatura, num papel muito bonito, bom, caro ... Ora se ele já faz estes gastos e eu até duvido que venha a ser candidato, como será daqui a uns meses se efectivamente seguir em frente? E onde vai buscar esse dinheiro? Existem regras bem definidas sobre financiamentos de campanhas e de tudo tem que se dar conta. Estará preparado para isso?
Olhe, antes de falar mal dos partidos, primeiro verifique se o provável "seu" candidato não tem telhados de vidro.
O autor do post o que parece é que já lá andou e agora foi escorraçado, já não o querem. Acertei? É que parece que sabe muito disso e que já bebeu e bem à pála de algum partido, talvez quando ainda sonhava ter futuro na política, como um líder nato.
Lendo os comentários odientos de gente fiel-dependente dos partidos o autor do excelente artigo ainda tem mais razão.
Texto admirável que representa a 100% o que é a política à portuguesa.
Em nenhum ponto o comentário defende o candidato independente, mas como a cegueira partidária não os deixa ver mais além e interpretar BOM português, toca de destilar veneno.
Os mesmos que se sentem atingidos choram lágrimas de crocodilo porque são atacados "injustamente", mas à primeira oportunidade aí estão eles a engolir a vítima.
Sejam sérios!
"Há tantos burros mandando em homens de inteligência, que, às vezes, fico pensando que a burrice é uma ciência."
António Aleixo
Enviar um comentário