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sexta-feira, 5 de abril de 2013

Pobreza, miséria e fome "alastram" devido ao desemprego


O coordenador da União dos Sindicatos do Distrito de Évora (USDE), Valter Lóios, alertou esta quinta-feira que "estão a alastrar casos de pobreza e de fome" na região, devido ao aumento do desemprego e à "ausência de subsídios".
Citando dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP), o dirigente da USDE, afecta à CGTP, indicou que o número de desempregados inscritos nos centros de emprego do distrito aumentou de 6.400, em Julho de 2011, para os atuais 10.500 e que destes "cerca de 6.300 não recebem qualquer prestação social".
"São dados gritantes. Alastra a pobreza, a miséria e a fome no distrito, com milhares de pessoas no desemprego e sem qualquer rendimento", afirmou Valter Lóios, em declarações à agência Lusa na apresentação da situação económica e social do distrito de Évora.
Para o responsável, o distrito vive uma "situação de calamidade", devido ao aumento do desemprego e às falências de empresas, sendo, por isso, "necessário criar condições para forçar o rompimento com o memorando da troika e com a política de direita".
O coordenador da USDE assinalou que o número de postos de trabalho no distrito "tem diminuído continuamente desde 2004", com destaque para os sectores da indústria e da agricultura, com percentagens superiores à média do País.

"Só na indústria transformadora, sector automóvel e transformação e extracção de mármores, entre 2000 e 2010, destruiu-se um terço dos empregos no distrito, correspondendo a menos oito mil postos de trabalho", realçou.
O sindicalista considerou que as políticas do Governo e da troika são "inimigas do crescimento económico" e que resultaram no "aumento dos encerramentos de muitas empresas" e na "não criação de postos de trabalho".
"Em 2012, entraram nos tribunais 62 processos de insolvência de empresas do distrito, mais 18 processos do que em 2011", disse, indicando que, até Março deste ano, "já tinham entrado nos tribunais outros 18 processos".
Valter Lóios afirmou ter conhecimento de "muitos outros casos que nem vão a tribunal" e que "não contam para estes dados estatísticos", tal como o número total de desempregados, cujos "dados oficiais também não reflectem a dimensão do desemprego".
«NM»

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