O coordenador da União dos Sindicatos do
Distrito de Évora (USDE), Valter Lóios, alertou esta quinta-feira que
"estão a alastrar casos de pobreza e de fome" na região, devido ao
aumento do desemprego e à "ausência de subsídios".
Citando dados do Instituto do Emprego e Formação Profissional (IEFP),
o dirigente da USDE, afecta à CGTP, indicou que o número de
desempregados inscritos nos centros de emprego do distrito aumentou de
6.400, em Julho de 2011, para os atuais 10.500 e que destes "cerca de
6.300 não recebem qualquer prestação social".
"São dados gritantes. Alastra a pobreza, a miséria e a fome no
distrito, com milhares de pessoas no desemprego e sem qualquer
rendimento", afirmou Valter Lóios, em declarações à agência Lusa na
apresentação da situação económica e social do distrito de Évora.
Para o responsável, o distrito vive uma "situação de
calamidade", devido ao aumento do desemprego e às falências de empresas,
sendo, por isso, "necessário criar condições para forçar o rompimento
com o memorando da troika e com a política de direita".
O coordenador da USDE assinalou que o número de postos de
trabalho no distrito "tem diminuído continuamente desde 2004", com
destaque para os sectores da indústria e da agricultura, com
percentagens superiores à média do País.
"Só na indústria transformadora, sector automóvel e
transformação e extracção de mármores, entre 2000 e 2010, destruiu-se um
terço dos empregos no distrito, correspondendo a menos oito mil postos
de trabalho", realçou.
O sindicalista considerou que as políticas do Governo e da
troika são "inimigas do crescimento económico" e que resultaram no
"aumento dos encerramentos de muitas empresas" e na "não criação de
postos de trabalho".
"Em 2012, entraram nos tribunais 62 processos de insolvência de
empresas do distrito, mais 18 processos do que em 2011", disse,
indicando que, até Março deste ano, "já tinham entrado nos tribunais
outros 18 processos".
Valter Lóios afirmou ter conhecimento de "muitos outros casos
que nem vão a tribunal" e que "não contam para estes dados
estatísticos", tal como o número total de desempregados, cujos "dados
oficiais também não reflectem a dimensão do desemprego".
«NM»

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