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| Por: Anabela Melão |
Na
conhecida expressão de Ortega, a pessoa é ela e as suas circunstâncias. Também
a Igreja devia pensar assim. Que mais não é do que os que A compõem e a Sua
circunstância. Cada cristão é uma das suas Pedras Vivas, parte da sua
Edificação Espiritual (1 Pedro 2:5), a “igreja
de Deus, a qual ele comprou com o seu próprio sangue” (Atos 20:28).
Corpus
Christi, Corpo de Cristo, que celebramos no 60° dia após a Páscoa, começou a
ser celebrado há mais de sete séculos e meio, em 1246, na cidade belga de
Liège, tendo depois o Papa Urbano IV à Igreja Universal, pela bula
"Transiturus", em 1264, dotando-a de missa e ofício próprios. Chegou
até nós lá pelos finais do século XIII e tomou a denominação de Festa de Corpo
de Deus, embora o mistério e a festa da Eucaristia seja o Corpo de Cristo. No
princípio do sec. XV, com D. João I, a festa era já celebrada com solene
procissão, seguindo a recomendação do Código de Direito Canónico (cân. 944)
que estipula ao Bispo diocesano que tenha a iniciativa de a organizar; tornando
assim público testemunho do amor e do respeito para com a santíssima
Eucaristia, "principalmente na solenidade do Corpo e Sangue de Cristo”
(cân. 395).
D. José Policarpo e D. Januário Torgal, nos últimos dias, ofereceram
pública manifestação de que as festividades não devem ser palavras vâs nem
olvidar a “circunstância” em que vivemos hoje, todos, incluindo os crentes, as
tais “pedras vivas” e pronunciaram-se sobre esta mesma circunstância.
O primeiro referiu que a atual situação
do mundo laboral e a “fragilidade” do setor bancário, apela a um novo
equilíbrio nas relações entre a “grande finança” e a economia, consciente de
que “a crise principal é a crise do trabalho, que está ligada ao âmago mesmo da
crise económico-financeira que a Europa atravessa”, e aludindo às dificuldades
de financiamento das empresas perante a “fragilidade da banca europeia” que, do
seu ponto de vista, “não está a cumprir uma das suas funções fundamentais, que
é apoiar a economia”. No seu entender, “Deu-se, de há uns anos a esta parte,
uma alteração nos equilíbrios da sociedade, uma alteração do equilíbrio entre
finança e economia: a razão de ser do mercado financeiro é sustentar e
desenvolver a economia, senão é simplesmente uma maneira de países e pessoas
enriquecerem à custa de juros”, pelo que importa “repensar os dinamismos e o
equilíbrio do desenvolvimento da sociedade”. Sobretudo, chamou a atenção para
que é preciso “ter noção” das dimensões do fenómeno da pobreza, com a
“identificação real” do fenómeno, analisar causas e procurar soluções.
O segundo afirma-se «profundamente chocado» com os agradecimentos de Pedro
Passos Coelho à paciência dos portugueses, fustigados pela austeridade, e confessa
a sua vontade de pedir ao povo para sair à rua, não
para fazer tumultos mas para fazer a democracia. Diz que as ações e as palavras
do atual Governo o recordam outros tempos de má memória e que tem vontade de
apelar ao povo pra que saia à rua para fazer a democracia, perante um Governo
que, na sua opinião, fala do povo português como um «povo amestrado» que «devia
estar no Jardim Zoológico».
D. José Policarpo e D. Januário Torgal colocaram-se assim ao lado daqueles
que são A verdadeira Igreja, juntando-se ao sentir coletivo dos que formam O
Templo, o verdadeiro Templo. Caso para dizer,
foi-se a "paciência de santo"!
E a nossa!? "A Praça é do Povo como os Céus são do
Condor"! Sinto que já anda por

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