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quinta-feira, 13 de setembro de 2012

"Se for necessário demitir este Governo, pois que seja feito"


Jerónimo de Sousa disse hoje que "ninguém aqui tem medo de dar a palavra ao povo".
O secretário-geral do PCP insistiu hoje em que "há alternativas à política de desastre nacional" e admitiu que a sua concretização pode passar por "demitir o Governo", sublinhando que "ninguém tem medo de dar a palavra ao povo".
"Temos sempre lutado por uma política diferente, por uma política alternativa e nunca desligamos isso da questão do Governo. E naturalmente se para essa política alternativa, patriótica e de esquerda, como nós a defendemos, for necessário demitir este Governo, pois que seja feito. Ninguém aqui, acho que ninguém, tem medo de dar a palavra ao povo português, essa é uma garantia fundamental", disse Jerónimo de Sousa, que falava numa conferência de imprensa em Lisboa, na sede do PCP, convocada por causa do novo pacote de austeridade anunciado pelo Governo.
Questionado sobre se o PCP vai pedir uma audiência ao Presidente da República, como fez o PS, Jerónimo de Sousa rejeitou essa possibilidade, sublinhando que Cavaco Silva, "em momentos decisivos, foi sempre co-responsável por esta política".
"Identificou-se, concordou, promulgou leis e medidas que hoje verificamos que têm sido desastrosas para o país. Portanto, é muito difícil pensar que o Presidente da República resolve de repente, num acto de sobressalto de consciência, desviar-se deste caminho", acrescentou.
Na declaração inicial que fez aos jornalistas, o líder do PCP qualificou os anúncios feitos pelo primeiro-ministro, na sexta-feira, e pelo ministro das Finanças, na terça-feira, como um "golpe inqualificável", um "roubo descarado" e uma "burla colossal" do Governo aos portugueses.
Jerónimo de Sousa destacou que "o chamado agravamento fiscal sobre os rendimentos do capital não passa de uma cínica manobra de diversão".
"A única medida quantificada é a do aumento de 1,5 pontos percentuais da taxa liberatória sobre os rendimentos de capital", afirmou, considerando tratar-se de uma "gota de água no oceano de milhares de milhões recebidos com a diminuição da Taxa Social Única" e que "acaba por penalizar fundamentalmente os juros das pequenas poupanças". "É a farsa da equidade a imperar", afirmou.
Para Jerónimo de Sousa, "há alternativas à política de desastre nacional" que passam por romper com o acordo da ajuda externa, a renegociação da dívida e o fim das privatizações, por exemplo.
O secretário-geral do PCP defendeu que "é hora de pôr fim a esta política e ao Governo que a executa antes que estes ponham fim ao país", apelando à "luta" de todos os portugueses e, concretamente, a diversos protestos convocados pela CGTP para Setembro e Outubro.
Questionado sobre as manifestações convocadas para sábado por uma plataforma cívica, Jerónimo de Sousa respondeu que o PCP "tem uma profunda compreensão pelos sentimentos de revolta e de indignação que hoje alastram na sociedade portuguesa", mas o partido continua "a considerar que é pela luta organizada" que se alcança a alternativa.
"Mas obviamente marcaremos presença", afirmou. Jerónimo de Sousa disse ainda, em resposta a uma pergunta, "registar" a "indignação" e os "indignados de última hora", como a ex-líder do PSD Manuela Ferreira Leite, que "deram cobertura durante meses sucessivos à política que o Governo realizou".
«DE»

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