“Gosto sempre de
aprender com os que sabem mais, e estão dispostos a partilhar o
conhecimento.” escreveu o anónimo. É, na realidade, um bom ponto de
partida, pois também eu estou de acordo com a afirmação. Se
apresentarmos as nossas ideias de forma clara e devidamente
fundamentadas, TODOS podemos a aprender uns com os outros…
E
pede-me o anónimo para “explicar em que é que os potenciais candidatos
autárquicos e forças políticas apoiantes podem influir”… Comecemos por
relembrar as principais atribuições das autarquias locais que constam na
legislação respetiva e se centram na satisfação das necessidades das
comunidades locais, nomeadamente, quanto “ao desenvolvimento
sócio-económico, ao ordenamento do território, ao abastecimento público,
ao saneamento básico, à saúde, à educação, à cultura, ao ambiente e ao
desporto”. Por todas estas razões, não parece estar muito correta a sua
simplista afirmação que “governar uma autarquia local é o mesmo que
governar em ponto grande um clube ou um condomínio.” Para governar uma
autarquia é necessária uma equipa que, para além das competências
específicas de cada um, se una em torno de uma visão mais ampla de
governação local e de princípios orientadores (constituídos em ideologia
ou não) do que pretende fazer e que caminhos escolher naqueles vastos
campos de intervenção atrás referidos que, como, escreveu podem
“proporcionar melhores condições de vida e de FUTURO a nós e às gerações
vindouras.”
Mas, para as melhores condições de vida da maioria
da população, não são indiferentes os princípios orientadores e os
caminhos escolhidos pelos autarcas e aí começam a demarcar-se as várias
opções políticas entre as esquerdas e as direitas. Um exemplo
autárquico: as direitas defendem a privatização da água e as esquerdas a
sua manutenção sob gestão pública contra a lógia do lucro privado. Quem
defende a privatização argumenta que fica mais barato ao cidadão e terá
um melhor serviço. Foi assim com a energia… privatizaram e a gasolina e
o gasóleo ficaram mais baratos e melhores? Não ! A eletricidade foi
privatizada e ficou mais barata e de melhor qualidade? Também não !
Outro exemplo: as direitas no poder defendem a privatização da empresa
lucrativa CTT e para melhores condições oferecerem a quem tem dinheiro
para comprar a empresa (poder económico), encerraram muitas estações que
existiam pelo país e que, em muitos casos, prestavam um serviço
importante aos munícipes, em especial aos mais idosos! As esquerdas
estão contra, pois trata-se de desbaratar um bem público que presta um
serviço importante à população. Como vê, as opções, políticas nacionais e
locais quer sejam as dos partidos quer as dos grupos de cidadãos
independentes podem influenciar, e muito, a vida dos munícipes (e a
política nacional) e, por isso, os autarcas e candidatos a autarcas têm
a obrigação de se definir e agir perante estas questões.
Mas falemos, mais em pormenor, do seu argumentário…
Escreveu o anónimo:
“Os alicerces, o betão e a engenharia civil não tem partidos, nem é de esquerda ou direita.”
Pois,
mas não são elementos neutros… Uma pistola “não tem partidos, nem é de
esquerda ou direita” mas pode ser usada para alguém se defender dum
assassino ou para matar uma inocente criança… Então as decisões dos
autarcas quanto ao tipo de construção de vivendas, prédios, urbanizações
ou condomínios privados, num local ou noutro, a existência de
habitações acessíveis e de qualidade ou não, a disponibilização ou não
de espaços verdes e de lazer públicos, não se reflete na qualidade de
vida dos munícipes? Um autarca não pode, pelas suas opções e como alguns
fizeram, colocar o “betão e a engenharia civil” apenas ao serviço dos
interesses do poder económico/financeiro e das direitas que o suporta,
em vez de responder às necessidades das populações? Claro que sim!
Então, a opção política é importante!
“Acudir a cidadãos com fome ou com carências económicas não é exclusivo
do partido A ou B. Da direita à esquerda há e sempre houve pessoas que
procuraram valer aos mais necessitados.” - escreveu o anónimo.
- De forma pontual, inconsequente e individual é verdade. Felizmente há sempre pessoas, das esquerdas às direitas, “que procuraram valer aos mais necessitados” pois esta sensibilidade faz parte integrante (ou não) do caráter de cada um. E, neste caso, é de louvar todos os que, de forma desinteressada e independentemente das simpatias políticas ou religiosas, respondem às necessidades imediatas de quem precisa. Contudo, essas posições não são suficientes para resolvem o problema, apenas o mitiga parcialmente! É por isso que, ao nível político, a grande diferença coloca-se entre quem defende medidas para a resolução do problema de fundo ou quem apenas quer fornecer um “comprimido” para acalmar a dor naquele dia. As esquerdas defendem que a resolução do problema da pobreza passa pela dignificação da pessoa carenciada, pelo combate à desigualdade social, o investimento na criação de emprego para produzir mais riqueza com uma melhor redistribuição (o atual ordenado mínimo não chega para sustentar uma família), por políticas de promoção da educação e formação profissional, proteção dos trabalhadores no mercado de trabalho e acesso, em condições, à Segurança Social e à Saúde. As direitas olham para a pobreza como culpa exclusiva do próprio pobre e defendem a desregulamentação do mercado de trabalho (despedir mais facilmente, dizem, criaria mais postos de trabalho), a redução dos impostos sobre empresas, o aumento dos horários de trabalho, enfim, medidas que, segundo eles, criariam mais riqueza (para eles, claro) e acabariam com (alguma) pobreza. Entretanto, para o pobre não morrer à fome, as direitas vão advogando a prática do assistencialismo e da caridadezinha... para os desgraçadinhos… E isto é, claramente, um conceito político: à esquerda, a solidariedade faz-se de igual para igual; à direita, a caridadezinha, de quem pensa que é superior para o considerado inferior… Mas, recordo, estamos a falar em termos políticos globais, pois, individualmente, existe muita gente boa (e gente menos boa) em todos os partidos e organizações.
Por: Ípsilon
- De forma pontual, inconsequente e individual é verdade. Felizmente há sempre pessoas, das esquerdas às direitas, “que procuraram valer aos mais necessitados” pois esta sensibilidade faz parte integrante (ou não) do caráter de cada um. E, neste caso, é de louvar todos os que, de forma desinteressada e independentemente das simpatias políticas ou religiosas, respondem às necessidades imediatas de quem precisa. Contudo, essas posições não são suficientes para resolvem o problema, apenas o mitiga parcialmente! É por isso que, ao nível político, a grande diferença coloca-se entre quem defende medidas para a resolução do problema de fundo ou quem apenas quer fornecer um “comprimido” para acalmar a dor naquele dia. As esquerdas defendem que a resolução do problema da pobreza passa pela dignificação da pessoa carenciada, pelo combate à desigualdade social, o investimento na criação de emprego para produzir mais riqueza com uma melhor redistribuição (o atual ordenado mínimo não chega para sustentar uma família), por políticas de promoção da educação e formação profissional, proteção dos trabalhadores no mercado de trabalho e acesso, em condições, à Segurança Social e à Saúde. As direitas olham para a pobreza como culpa exclusiva do próprio pobre e defendem a desregulamentação do mercado de trabalho (despedir mais facilmente, dizem, criaria mais postos de trabalho), a redução dos impostos sobre empresas, o aumento dos horários de trabalho, enfim, medidas que, segundo eles, criariam mais riqueza (para eles, claro) e acabariam com (alguma) pobreza. Entretanto, para o pobre não morrer à fome, as direitas vão advogando a prática do assistencialismo e da caridadezinha... para os desgraçadinhos… E isto é, claramente, um conceito político: à esquerda, a solidariedade faz-se de igual para igual; à direita, a caridadezinha, de quem pensa que é superior para o considerado inferior… Mas, recordo, estamos a falar em termos políticos globais, pois, individualmente, existe muita gente boa (e gente menos boa) em todos os partidos e organizações.
Por: Ípsilon
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2 comentários:
Há muito tempo não via aqui um post tão interessante. Digno dum grande jornal diário nacional. O autor usou uma linguagem simples, como deve ser em qualquer jornal. pois os jornais são lidos por gente de todos os graus de inteligencia e formação. Pena não ter assinado. Merece o meu reconhecimento. Os meus parabéns
Gabriel Tapadas Marques
A (EXAGERADA) MORTE DAS IDEOLOGIAS II (parte 2)
Por último, vamos à sua dúvida se “a eleição de uma força política num grão de areia do mundo tem algo a ver com a subprime, com swaps, com os direitos laborais ou com reformas?”
Falemos, então, da crise americana do subprime (crédito à habitação de alto risco)… Dada a interligação mundial dos “mercados” muitos bancos e fundos europeus (e portugueses, como BPN, CGD e outros) investiram em instituições dos estados unidos que trabalhavam no segmento ‘subprime’ e acabaram por apanhar com essa crise da especulação. Contudo, graças aos 2 últimos governos, são os trabalhadores, pensionistas e população em geral que estão a pagar estas aventuras dos banqueiros…
Entretanto, o governo das direitas de Passos e Portas inscreveu no orçamento retificativo mais de mil milhões para a resolução de contratos de 'swap' especulativos. Onde é que acha que o governo das direitas vai buscar este dinheiro? Vai buscá-lo aos rendimentos das populações, através dos cortes salariais e nas pensões, mais taxas, impostos e outras invenções… E terá reflexo redutor, certamente, nos valores centrais a transferir para as autarquias…
Está já a ver como é que o “subprime” americano mais os contratos de 'swap' afetam as vidas dos munícipes e das autarquias…
Pelas razões atrás apontadas, sendo importante as capacidades e qualidades pessoais dos candidatos autárquicos, não é de todo indiferente ao bem estar das populações as opções ideológicas de quem está à frente das autarquias ! E se, a nível nacional, tivéssemos muitos autarcas verdadeiramente das esquerdas, era possível influenciar a política nacional não só a favor dos direitos dos munícipes (laborais, pensões, saúde, etc., conquistados pelas esquerdas) mas também contra este domínio da finança especulativa sobre a economia produtiva (apoiado pelas direitas) e, por extensão, a política europeia e internacional!
É que, não se esqueça, as belas praias são formadas por muitos grãos de areia !
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