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domingo, 16 de junho de 2013

"Marx, Engels, ou o Tio Sam não conhecem Alpiarça."

Caro Ípsilon (ler:"A (EXAGERADA) MORTE DAS IDEOLOGIAS II":) antes de mais dar-lhe os parabéns pelo seu texto, que está muito bem escrito, mas com o qual tenho algumas discordâncias.
Apresenta o seu ponto de vista, sem ofender ninguém, pelo que tenho todo o prazer em transmitir-lhe a minha visão.
Começaria por dizer que interessa às ideologias dividir o mundo em preto e branco, tentando omitir que a palete de cores vai muito mais além.
Os regimes de esquerda e direita sempre o fizeram, afirmando a superioridade da sua "raça" sobre a outra, ou como foi em Portugal explorado até à exaustão: tudo o que a ditadura fez está mal feito, e tudo o que foi feito depois foi bem feito.
A velha táctica de que se não és por nós, és contra nós tem trazido dividendos a ambas as partes, mas criando divisões que não se justificariam em certos ambientes e particularmente na gestão autárquica.
No seu texto quase todo o seu raciocínio é canalizado para uma estratégia a nível nacional e nunca para o nível local.
Os CTT's, a água, a energia, os combustíveis, e qualquer outro exemplo que dá são posições discutíveis a nível nacional, mas para que a gestão autárquica pouco ou nada conta.
Pode a câmara de Alpiarça impedir a privatização dos CTT, baixar os preços dos combustiveis ou da energia?
Parece-me que não.
O que temos de ver é o que podemos fazer a nível local para contrariar certas decisões a nível central, e sobre isso diria-lhe que há duas vertentes em que temos de nos focar.
1ª Respeito pelos contribuintes
2º Ser criativo. Com pouco fazer muito.
Começaria pela 2ª com um exemplo ligado precisamente aos CTT.
Os partidos apresentam o encerramento de várias estações como se fosse o fim do mundo.
Sabe o que fez há anos a Junta de Freguesia que serve a zona de S.Domingos em Santarém?
Instalaram na Junta de Freguesia em regime de franchise um posto dos CTT.
Não só continuaram a garantir os serviços à população, como criaram postos de trabalho e arrecadam receitas para a Junta.
A junta era governada pelo PSD (Luís Arrais), mas será que se fosse por uma força política dita de esquerda a solução encontrada seria posta de parte porque era de "direita"?
Parece-me que não. As pessoas é que fazem a diferença. Uns escolhem o caminho da confrontação para aparecerem na TV e servir estratégias partidárias, outros sem barulho e sem mediatismo resolvem o problema.
 Outro exemplo. Li ontem, neste jornal, que foi atribuída a gestão de dois prédios pelo valor de 9600 euros.
Não sei se nesse valor inclui o pagamento de IMI, limpeza dos prédios, e outros custos ou se é apenas consultadoria.
Sabe o que eu faria como responsável municipal, assumindo que é só consultadoria?
Atribuiria a gestão legal aos serviços jurídicos da câmara, que para isso são pagos, e a nível local asseguraria que tudo o que necessitasse de ser tratado localmente fosse feito por um ou dois delegados.
Quem seriam esses delegados?
Simples! Estudantes universitários alpiarcenses (de direito de preferência, mas não obrigatório) que como contrapartida ao seu trabalho teriam uma ajuda permanente para pagar os estudos.
Várias "bolsas de estudo" até um limite de 800 euros/mês em troca de trabalho.
Até poderia pagar o mesmo, mas com 1 cajadada mataria dois coelhos.
Dois exemplos simples, mas que podem ser feitos em múltiplas áreas, poupando dinheiro aos contribuintes e alargando o leque dos benefícios.
O primeiro ponto "respeito pelos contribuintes" passa precisamente por antes de tomar cada decisão perguntar se o dinheiro que vai ser gasto não pode ser feito de outra maneira.
Para que isso aconteça é preciso acima de tudo gente inteligente e que tenha ideias "difíceis".
As fáceis estão encontradas, não dão trabalho e existem em qualquer manual de gestão.
São as que normalmente são utilizadas por todos, independentemente se são de esquerda ou de direita.
As pessoas é que fazem a diferença. Há municípios de direita muito bem geridos como os há de esquerda.
Vemos municípios ao lado uns dos outros, com diferentes forças partidárias mal geridos, e outros bem geridos.Mais uma vez as pessoas fazem a diferença.
A forma de fazer as coisas evidentemente que pode ser diferente.
A esquerda acha que o dinheiro é inesgotável e basta exigir. Faça-se mais investimento, façam-se bairros sociais, saúde e educação gratuita.
No meu modesto entender, tem de ser criada riqueza para poder ser distribuída. Só se pode distribuir o que há, e modelos centralizados no Estado sempre deram maus resultados.
Fazer por exemplo um bairro social, é politicamente correcto e dá votos.
Mas se não houver verbas transferidas centralmente não passará de uma boa ideia.
Abandonamos o projecto?
Não. Se calhar, e contráriamente ao que diz, prefiro que Alpiarça crie condições para que se façam condomínios de luxo do que prometer que se fazem bairros sociais.
Explico porquê...
Se eventualmente tívessemos um condomínio como o de Stº Estevão (Benavente), que lembre-se é um município gerido pela CDU, o município teria uma fonte de receitas por via de IRS, IRC, IMI e IMT que assegurava que a câmara anualmente teria um orçamento forte.
Com um orçamento forte é possível então canalizar essas receitas para a construção faseada de habitação social.
Pessoas abastadas, além de pagarem impostos elevados,normalmente criam empresas e serviços perto, para sua comodidade. Empresas criam emprego. Emprego traduz-se em que as pessoas compram casas, viaturas, consomem...
Se consomem, há quem preste esses serviços (hotelaria, construção civil, reparação auto, etc) que por sua vez criam mais emprego.
Esta é a escolha que devemos fazer a nível local. Um modelo baseado no centralismo de Estado, ou tentarmos a nível local criar fontes alternativas de riqueza e de desenvolvimento?

1 comentário:

Anónimo disse...

Hoje assisti no Casalinho a um grande fair-play com os elementos do PS a confraternizar com os elementos do Movimento Todos por Alpiarça. Mas nem tudo era rosas.. pois estava uma pessoa que não conseguia disfarçar a sua dificuldade em estar nesta confraternização... o seu nome é João Céu... Ele teve uma educação totalmente diferente.