Injúrias
«Quando
alegadamente o dr. Miguel Sousa Tavares resolveu injuriar o dr. Cavaco,
o caso não pôs qualquer dificuldade. A injúria (ainda por provar) vinha
num jornal diário, toda gente conhecia o homem e onde ele morava: a
Procuradoria-Geral da República não precisou de se esforçar. Além disso,
é compreensível que o dr. Miguel Sousa Tavares, sendo uma figura com
influência, irritasse Belém. Mas de qualquer maneira o escândalo que o
Presidente insistiu em fazer à volta do episódio só o prejudica a ele. A
má fama na política não passa com processos judiciais, passa, quando
passa, com política. Nem Eanes, nem Soares, nem Sampaio lançaram a
Procuradoria às canelas de ninguém e foram insultados como o dr. Cavaco
nunca, que me lembre, o foi. A vida pública, com a sua ambiguidade e
aspereza, não se parece nada com a aula catedrática, que o nosso
ilustríssimo chefe e professor imagina no seu incurável provincianismo.
(...)» Vasco Pulido Valente, Jornal Público de hoje
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