Por: Anabela Melão |
A
Primavera tem de ser de papoilas Vamos assistindo a um suposto cenário de
guerra num alegado tempo de paz. E não se fala de resistência - vocábulo dos
velhos tempos que foi tomado de assalto pela "abstenção violenta" -
nem se fala de quem lute contra a ocupação do País pelas "forças
democráticas" legitimamente postas no poder - prefere-se a
"progressão neutral" que cede à pressão do poder pelo poder. Mas há
ainda quem fale de luta, sem pensar nesta ou naquela força partidária, somente
aquela luta pura que se impõe hoje, como se impõe sempre, em todos os tempos e
em todos os lugares. A luta que visa apenas a sobrevivência da Liberdade. Se
existe um código de luta? Não. Tal como não existe um código de Liberdade. Os
grandes dilemas existencialistas da Liberdade, porém, estão aqui e agora bem
presentes: a necessidade de sobreviver, a revolta e a mentira. 'Todos somos
responsáveis por tudo perante todos', disse Dostoievski. E a maior
responsabilidade é a da inacção e a da inércia. Existe ainda quem pense que a
desgraça ainda "só" chegou à casa dos outros e que ainda não chegou à
sua. Engano desses: a desgraça de um é a de todos, e quando chega ao outro já
chega a nós. Não há mansidão nem brandos costumes que legitimem os braços cruzados,
ao menos tenhamos a decência e a civilidade de os levantar e dizer Não! Sei que
murcharam os cravos! Sei que murcharam as rosas! É tempo de cultivar campos de
papoilas!
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