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terça-feira, 6 de setembro de 2011

Desemprego e salários não melhoram até final de 2015

Naquilo que em economia interessa mais às pessoas - emprego e salário -, como estará o país daqui a quatro anos, no final de 2015? O governo respondeu ontem com uma previsão: o país estará exactamente na mesma. A economia portuguesa vai ser forçada a fazer o maior ajustamento estrutural em democracia, com efeitos positivos e negativos: Portugal poderá chegar a meados da década com os seus desequilíbrios público e externo resolvidos, mas o nível de desemprego será igual ao recorde actual (mais de 12%) e os salários continuarão estagnados.
No Documento de Estratégia Orçamental apresentado ontem, o governo confirma que a economia irá piorar mais antes de voltar ao ponto em que está hoje. A dieta orçamental (cortes na despesa e mais impostos), por um lado, e a do sistema bancário (menos crédito e mais caro), por outro, vão apertar a economia este ano e no próximo para uma contracção combinada de 4%, a maior em democracia. A evolução do mercado de trabalho irá reflectir este aperto, com o desemprego a subir para 13,2% em 2012 e a ficar nos 13% em 2013, prevê o governo. Os salários permanecerão congelados na função pública até 2015, confirmou ontem o ministro das Finanças, Vítor Gaspar, sendo provável igual tendência no sector privado.
A partir de 2013 o ministro acredita que a economia comece a recuperar, crescendo 1,2% com o contributo das exportações e do investimento. O executivo sublinha a incerteza que rodeia estas previsões - muito falíveis, dada a volátil conjuntura internacional -, mas realça que a tendência será de retoma. Em 2014 e 2015 a economia poderá crescer acima de 2% (a última vez que isso aconteceu em dois anos seguidos foi em 1999 e 2000). Contudo, a recuperação no emprego será lenta, com o desemprego previsto para 2015 a cifrar--se em 12,3%, praticamente o mesmo que no final do primeiro semestre deste ano (12,6%).
Gorduras só valem 15% da dieta Este cenário económico está ligado à estratégia de consolidação do défice orçamental ontem apresentada. O governo deixou para meados de Outubro, com a apresentação do Orçamento do Estado para 2012, o enunciado das medidas dolorosas de corte na despesa. Contudo, é certo que o corte nas chamadas "gorduras do Estado" - os consumos intermédios (despesas de funcionamento extra pessoal) - valerá "só" 15% da poupança em 2012 e 2013, segundo as projecções do governo. Este número fica muito aquém do papel fulcral que o PSD dava há alguns meses a esta rubrica. "Corte na despesa pública" significará sobretudo mais encargos das famílias. Nos dois anos em análise, 54% do esforço na despesa resultará em menos dinheiro no bolso dos portugueses: poupanças com salários no Estado (valem 11% do esforço total contra o défice), com prestações sociais (pensões, subsídios, etc., valem 15%) ou na saúde (11%). Depois ainda há os impostos (ver texto ao lado). Nas subidas do IVA, do IMI e do IRS estarão mais de 22% da consolidação até 2013.
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