São de eventos com mais
de mil atletas, como o duatlo deste domingo, em Vila Nova de
Famalicão, que o triatlo português precisa para que possa dar um salto
quantitativo em praticantes, aumentando dessa forma a base de recrutamento para
o alto rendimento e seleções nacionais. Esta
é a opinião de Sérgio Santos, o mais conceituado e galardoado dos
treinadores portugueses, que, em entrevista ao site da FTP, falou
de outros assuntos, manifestando o seu apoio à decisão de João Silva em
ir treinar para a Nova Zelândia com alguns dos melhores triatletas do
mundo. "João Silva é absolutamente excecional", afirmou.
“Só há duas
formas do triatlo subir patamares. Por um lado, através da prática massificada,
com a organização de megaeventos. Por outro, dando aos atletas, que já estão
enquadrados no alto rendimento, oportunidades para competirem e fazerem
estágios à volta do mundo. Isso é que os estimula e faz crescer, principalmente
os juniores e sub-23”, afirmou em entrevista ao site da FTP.
O atual responsável
pelo Centro de Estágios, Formação Desportiva e Alto Rendimento de Rio Maior
sabe que o caminho não é fácil, pois tudo isto “custa muito dinheiro”,
mas acredita ser a única maneira de garantir o crescimento da modalidade e uma
geração de atletas de elite, capazes de suceder a Vanessa Fernandes, medalha de
prata nos Jogos Olímpicos de 2008, tricampeã mundial e pentacampeã europeia em
triatlo, dequem Sérgio Santos, de resto, foi treinador.
“Quanto mais a
modalidade for conhecida e mais praticantes tiver, maior será também a probabilidade
de aparecem novos talentos”, defende, assumindo como determinante a
angariação de “parcerias privadas”para a organização dos tais
megaeventos.
“A federação teria
uma intervenção técnica, pois não há quem saiba mais a esse nível, e as
entidades privadas poderiam focar-se todo o ano na organização da prova. Por
exemplo, em maratonas como a de Chicago ou de Londres, assim que um atleta
passa a meta um ano, já os organizadores estão a preparar a edição seguinte.”
No caso do Duatlo de
BTT de Vila Nova de Famalicão, que não terá nomes conhecidos, mas muitos
praticantes populares, de um nível iniciado e intermédio, o antigo Diretor
Técnico Nacional refere que “a especialidade de duatlo, por não ter a
natação, é ideal para reunir muita gente, pois chama ao mesmo tempo pessoas do
atletismo, do ciclismo, do BTT e também triatletas em preparação”.
"João Silva é absolutamente excecional"
Atualmente, a grande
figura do triatlo nacional é João Silva, sobre o qual recaem grandes esperanças
para os Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro, em 2016. “É um atleta
com um nível absolutamente excecional. Poder treinar com atletas do mesmo nível
ou superiores a ele, só aumentará a sua exigência, ambição e motivação, uma vez
que passarão a ser aqueles atletas as suas referências”, considerou.
João Silva, sexto do ranking
mundial em 2013, está integrado na Nova Zelândia no grupo de trabalho
do técnico canadiano Joel Filliol, onde estão atletas como Mario Mola (Espanha)
ou Richard Murray (África do Sul), respetivamente terceiro e quinto melhores do
mundo.
«FTP»
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