Por: Anabela Melão |
O que está em questão é quem está disposto a lutar pela vitória da
trilogia da Revolução Francesa, “Liberdade, Igualdade e Fraternidade”? A
Fraternidade, de entre as três máximas, foi sempre a mais esquecida. Nas
Igrejas Cristãs, todos são - ou todos se arrogam - filhos de Deus, mas
raramente nos reconhecemos como irmãos. O mesmo se passa noutras Ordens. Muitos
por lá andam e poucos a vivem. Qual é então a situação da população mundial? 1%
da população mundial concentra 43% da riqueza, enquanto 50% fica apenas com 2%.
871 milhões de pessoas passam fome. Mais de 1.000 milhões, se encontram na
indigência e cerca de 3.000 milhões na pobreza. 900 milhões não têm água
potável. 1.000 milhões não têm acesso à luz eléctrica e 2.160 milhões não
possuem instalações sanitárias. O Papa Francisco começou, como um pecador em
processo de conversão, a chamar os cardeais, os bispos, os padres e
despertá-los para o serviço. Para os das demais Ordens, cristãos ou não,
trate-se ou não de marketing religioso, há que lhe seguir o exemplo. Qualquer
Ordem Iniciática "serve", não é para que os que dela fazem parte
"se sirvam". Esta verdade dói e implica separar o escasso trigo do
volumoso jóio. Mas o trabalho tem, igualmente, de começar. É a
"sabonária", como disse, com a sua graça e acutilância costumeira, o
meu amigo - e já agora, Irmão, José António Barreiros. Mais do que o processo
de depuração que visa "sanear" - espero que o termo seja
suficientemente forte para agitar as águas - os que dizem benfeitores e que de
fraternidade nada percebem, é Hora de arrebanhar o rebanho dos verdadeiros
Irmãos, seja de Igreja seja de Ordens, e, sem falsos pudores, assumirmo-nos
como aquilo que somos: irmãos (Mt 23, 8-9), juntos num trabalho em prol da
comunidade. Afinal, mesmo para quem não é cristão e mesmo para quem vê no Papa
Francisco, um produto elaborado de marketing político, retire-se das suas
palavras e de algumas das suas acções o melhor: a de que o Mundo carece de
Filhos-Irmãos que, sem descurarem o seu alimento, quais pelicanos, o partilhem
com outros. E falo de todos os tipos de alimentos, já que nem só de pão vive o
Homem. Bergoglio caminha em contramão. Também assim o fazem algumas Ordens, que
vivem na sombra de grandiosos feitos e de valorosos homens que engrossaram as
suas fileiras, e que hoje morreriam mal vissem a corja que se entranhou no seu
seio, qual tecido mole e amarelecido da romã, que corrompe os rubros gomos e
lhes retira sabor. Pelicanos sem préstimo e romãs apodrecidas, assim,
enjeitando essa nossa qualidade de Irmãos de todos os homens, viramos a cara ao
outro e, quanto aos poucos que ainda têm consciência e ousadia para se verem ao
espelho e se confrontarem com as suas acomodadas inacções ante tanta
necessidade do Outro (a omissão também é um "pecado", consta, nalguns
casos - e, a ser assim, este será o maior deles). Os fariseus ouviam Jesus
dizer que não se pode servir a Deus e ao Dinheiro e zombavam dele (Lc 16,
13-15). O dinheiro faz falta para muita coisa, entre as quais, para provir às
necessidades dos nossos Irmãos, que são, só, todos os Homens. Temos pela frente
um novo ano e o grande desafio será o de sermos Pelicanos e de diferenciarmos,
entre nós, as partes-fel da romã que a corrompe e denigre. O Mundo precisa de
Homens Bons e cabe a todos descobrir nos Outros o Irmão. E, como de boas
intenções está o Inferno cheio, é-me indiferente quem faz o Bem, se a Igreja
(ou as Igrejas) ou a Ordem (ou as Ordens), já ficaria satisfeita se nos
levantássemos, fôssemos ao menos meia dúzia, arregaçássemos as mangas e
fizéssemos Obra. Porque toda a Obra que se faz pelo nosso Irmão, é Obra, não do
homem - partícula infíma - mas da Obra que o Maior Criou (cada um de nós).
Façamos de 2014, um céu de pelicanos e que as romanceiras floresçam e deem
frutos. Recebam, todos, independentemente de credos e ideologias, o meu imenso
abraço fraternal
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